Cirurgia negada
O médico indicou. O plano negou. Isso não encerra o caso.
Pagou a cirurgia e assinou um termo no hospital? Isso não impede você de cobrar o plano.
Falar com o escritório
Como o plano faz o paciente pagar uma cirurgia que deveria cobrir
- 01Nega a cirurgia indicada pelo médico
- 02Autoriza só a técnica mais barata
- 03Diz que o procedimento não está no rol da ANS
- 04Alega carência em caso de urgência
- 05Demora a responder até o paciente não poder mais esperar
- 06Indica hospital ou médico que não faz o procedimento
- 07Pede que você assine um termo abrindo mão do reembolso
Quando isso acontece, muita gente paga do próprio bolso para não colocar a saúde em risco. E depois acredita que, por ter assinado um termo, não pode mais cobrar nada. Assinar um termo no hospital não apaga o contrato que você tem com o plano.
Ainda não fez a cirurgia ou o procedimento? Veja como pedir a cobertura →
Vídeo · 0:55
O termo assinado não encerra o caso
Enquanto o paciente paga, o plano lucra
Cada cirurgia que você paga sozinho é uma despesa a menos para a operadora.
R$ 24 bi
de lucro das operadoras de planos de saúde em 2025, mais que o dobro do ano anterior
Fonte: ANS, dados divulgados em março de 2026
E esse resultado convive com negativas de cirurgia que empurram a conta para quem já está doente.
O que fazer agora
Guarde a negativa por escrito e o protocolo
Se o plano não enviar a negativa por escrito, exija.
Peça um relatório ao médico
Ele deve explicar por que a cirurgia e a técnica indicada são necessárias.
Se precisar pagar, guarde tudo
Notas fiscais, recibos e comprovantes de pagamento.
Leia antes de assinar acordo com o plano
Veja exatamente a que direitos ele pede que você renuncie.
O que o STJ já decidiu
Decisão do STJ · 2024
Paciente que assinou termo de atendimento particular no hospital manteve o direito de cobrar o plano
Decisão do STJ · 2026
Plano de saúde deve cobrir cirurgia robótica indicada para câncer de próstata, mesmo fora do rol da ANS
O termo assinado no hospital apaga o direito?
Não. O termo trata da conta entre você e o hospital. O contrato com o plano é outra relação.
O STJ já reconheceu que, mesmo respondendo pela conta do hospital, o paciente pode cobrar o plano em um processo próprio.
E se o acordo foi assinado com o próprio plano?
Assinar um documento não transforma uma renúncia abusiva em válida.
Se o acordo foi apresentado quando o paciente precisava operar e estava diante de uma negativa, o contexto da assinatura também importa.
E se a cirurgia não está no rol da ANS?
Estar fora do rol da ANS não encerra a questão. O STF definiu critérios para que tratamentos fora da lista também tenham cobertura, como indicação do médico, comprovação científica e registro na Anvisa, entre outros.
Em 2026, o STJ determinou que um plano arcasse com os valores gastos em cirurgia robótica para tratamento de câncer de próstata.
Mesmo que o plano tenha dito não, a Justiça pode determinar o reembolso
Adianta reclamar na ANS?
A reclamação ajuda a registrar o problema e pode resolver casos simples. Mas a ANS não obriga a operadora a devolver o que você já pagou. Para isso, o caminho é a Justiça.
Folha de S.Paulo · Painel · 13/09/2026
Presidente da ANS diz que aconselha amigos a procurarem a Justiça contra planos de saúde
Ler na Folha →“Às vezes sou procurado por conhecidos, amigos e familiares. Digo: judicialize.”
Já paguei faz tempo. Ainda dá?
Para cobrar despesas médicas e hospitalares que deveriam ter sido cobertas pelo contrato e não foram pagas pelo plano, o STJ reconhece prazo de dez anos.
Se houve acordo diretamente com o plano, o documento precisa ser analisado, porque a discussão pode ser diferente.
À frente da Cavalcante Monteiro
Maysa Cavalcante
Maysa Cavalcante é advogada e atua em Direito da Saúde, defendendo pacientes em conflitos com planos de saúde.
+13
anos de advocacia
Atendimento online para pacientes de todo o Brasil
Conteúdo sobre planos de saúde no Instagram @advmaysacavalcante
“Quem pagou do próprio bolso por um tratamento que o plano deveria cobrir merece entender exatamente o que pode ser feito.”Maysa Cavalcante · Advogada
Perguntas frequentes
As dúvidas mais comuns de quem pagou a cirurgia depois de uma negativa.
Posso pedir reembolso se paguei a cirurgia depois da negativa?
Sim. Muita gente acha que perdeu o direito porque pagou do próprio bolso para não arriscar a saúde. Não é assim. O valor que pode ser cobrado depende do seu contrato e do motivo que o plano deu para negar.
Dá para conseguir a cirurgia antes do fim do processo?
É possível pedir uma medida de urgência. Em situações urgentes, o juiz pode decidir logo no início e determinar que o plano autorize a cirurgia antes do fim do processo.
Paguei a diferença para fazer a técnica que o médico indicou. Posso cobrar?
A técnica indicada pelo médico também pode ser discutida. O relatório precisa explicar por que aquela técnica é necessária e quais vantagens ela oferece para aquele paciente.
O plano precisa me dar a negativa por escrito?
Sim. O plano deve informar por escrito o motivo da negativa. Guarde também protocolos, e-mails, mensagens e gravações de ligação.
Como funciona a primeira conversa?
Você chama o escritório no WhatsApp, conta o que aconteceu e envia os documentos que tiver. O escritório analisa e explica o que pode ser feito.
O que preciso enviar?
A negativa do plano ou o protocolo do pedido, o relatório do médico, a carteirinha ou o contrato e os comprovantes do que você pagou.
Moro em outro estado. Posso ser atendido?
Sim. O atendimento do escritório é online e o processo é eletrônico.
Ficou com alguma dúvida?
Antes de assinar qualquer termo ou pagar do próprio bolso, guarde a negativa por escrito. Ela é a principal prova do seu caso.
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